Governador ministra palestra sobre desenvolvimento do Estado para oficiais da ECEME

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O governador Confúcio Moura proferiu palestra na tarde desta quinta-feira (5), no auditório do Palácio Presidente Vargas, sobre o potencial do Estado de Rondônia, a oficiais superiores da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), que estão participando no Estado em atividades de estudos estratégicos de área, conhecimento das potencialidades regionais e os principais problemas estratégicos com seus reflexos na ação militar. A Eceme tem por missão formar oficiais de Estado-Maior para atuar como assessores nas grandes unidades, comandos e escalões mais elevados da instituição, bem como formar os futuros comandantes de organizações militares do Exército.

Acompanharam também a explanação, o general de Brigada Ubiratan Poty, Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva; o coronel Pedrotti, chefe da Comitiva da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, o secretário-chefe da Casa Civil, Marco Antonio de Faria e o Major PM Maurício Marcondes Gualberto, secretário-chefe da Casa Militar do Governo de Rondônia.

Ao traçar um panorama sobre o Estado de Rondônia, seus desafios e iniciativas, o governador Confúcio Moura disse que Rondônia não difere do restante do Brasil no tocante à diversidade da população, que é formada por pessoas que vieram de várias partes do país como paranaenses, capixabas, rio-grandenses, baianos, enfim, uma amostragem do povo brasileiro por excelência, porém, com as características de um Estado Amazônico.

O governador abordou o crescimento do Estado, marcado pela colonização reforçada na década de 70 e impulsionada pela introdução da mecanização agrícola no sul do país, deixando colonos sem trabalho e os Estados passaram a enfrentar problemas sociais e de favelização com o inchaço das cidades. Essa situação impulsionou a criação dessa nova frente colonizadora em Rondônia, Tocantins e Norte do Mato Grosso. Ele lembrou que quando chegou em Ariquemes não havia ainda uma casa, sequer. “Eram faisqueiros, garimpeiros e coreiros que trabalhavam próximos à beira dos rios. Hoje há uma população de cerca de cento e um mil habitantes”, lembrou.

“Podemos dizer que Rondônia é o Estado da Reforma Agrária, bem desenhada e estruturada pelo Governo Militar. Hoje são 117 mil propriedades com títulos e 60 mil que necessitam de documentação, a maioria em faixa de fronteira, mas já temos uma ação com o Conselho de Segurança Nacional para a regularização dessas áreas”, disse, lembrando que no início da colonização era uma verdadeira guerra civil, onde, sem conhecerem a floresta, as pessoas que aqui chegavam enfrentavam toda a sorte de intempéries e doenças como malária, leishmaniose. “Uma escola era transformada em hospital de campanha onde aplicavam o soro que, muitas vezes, era pendurado no prego da parede”. “Hoje é um Estado em forte crescimento, mas que foi construído em cima do sangue de seus pioneiros”.

ECONOMIA 

Confúcio Moura cita que apesar da crise mundial, o Estado tem crescido mais que o país, porém, tem a mesma necessidade de investimentos. Lembrou que, quando assumiu o governo, o Estado esteve no cenário nacional em razão da precariedade na saúde. “Com as diversas parcerias, hoje melhoramos os serviços e já podemos respirar, mas na economia o que sobra são os financiamentos”, disse, explicando o potencial de investimentos de bancos como o da Amazônia, com o Fundo Nacional de Investimentos do Norte (FNO), exemplificando que em 2012 houve investimentos na ordem dos R$2,5 bilhões em Rondônia para agricultores familiares, médios e grandes produtores. Destacou que o Estado está trabalhando com recursos de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na ordem de R$1 bilhão, que estão possibilitando investimentos em educação, saúde, segurança, agro-industrialização, inclusão produtiva e regularização de áreas. Hoje produzimos basicamente alimentos. “Somos o quinto Estado brasileiro em exportação de carne. Exportamos para a Rússia e estamos trabalhando para conquistar o mercado chinês”, explicou. Rondônia também exporta minério, tendo sido palco no início da década de 70 da vinda de muita gente em busca  de ouro. Também de diamantes, há uma das maiores jazidas do mundo, que é contrabandeado e não deixa renda nem ao Estado e nem ao país, explicou, dizendo que espera que o Código de Mineração possa resolver essa questão.

GEOPOLÍTICA

Confúcio Moura destacou a importância da localização do Estado de Rondônia, como centro da América Latina, perto dos portos do pacífico e o potencial hídrico do Rio Madeira, com uma hidrovia com 1300 quilômetros de extensão, citando ser o segundo modal de transporte mais importante da Amazônia, que abastece de petróleo todo o Estado do Acre. Ele disse que não se conhecia a capacidade de geração de energia com baixa inundação e pouco comprometimento ambiental, e Rondônia vai gerar 8% da energia total do país, com a construção das hidrelétricas do Madeira. Também lembrou que devido à sua importância, o Rio Madeira deve ser redescoberto.

DIVERSIDADE AMBIENTAL

O governador explicou que em Pimenta Bueno começa a savana, vegetação de floresta baixa com tabocais, rica em madeiras para cercas e currais, de itaúba e aroeira, madeiras extremamente fortes e é uma região em que o solo é modificado. “Uma revolução na paisagem e geografia”, rica em quedas d’água e com pequenas centrais hidrelétricas, soja e florestas densas. Citou também que nossa vocação é muito estudada por entidades como a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e outras consultorias especializadas.

EDUCAÇÃO FRÁGIL

Confúcio Moura disse que padecemos dos mesmos problemas do país no tocante à fragilidade da Educação, que não dá conta de formar cidadãos aptos para atuar no mercado de trabalho e serem agentes do desenvolvimento. Lembrou a qualidade da educação pública quando ainda era estudante, destacando que hoje pode haver 98% de alunos matriculados na primeira série, porém, saem do ensino médio somente 15%, lamentando que há uma lacuna que exclui os jovens da formação, um prejuízo da juventude, somada a uma formação também precária no ensino superior. Defendeu que a mudança deve ser constitucional e não de algumas leis ordinárias. “Sem tecnologia, pesquisa e inovação, o país não cresce”, pontuou, lembrando que é necessário professores e ensino bons para formar as pessoas qualificadas para tocar os projetos. “É o pressuposto para o país crescer”, alertou, lembrando que perdemos para quase todos os países da América Latina em Educação, destacando que somente alguns municípios brasileiros isolados estariam fora desse contexto.

POLÍTICA DE FRONTEIRA

Questionado sobre a Política de Segurança para as fronteiras, Confúcio Moura disse que Rondônia está plenamente integrada ao Plano Nacional de Controle das Fronteiras. Há um grupo de fronteira da Polícia Militar e aviões que controlam a sanidade do rebanho bovino na fronteira e policiamento nos distritos. Disse que está sendo feito empréstimos para compor sistema de fibra ótica que vai estar em sintonia com as forças de inteligência para o combate ao narcotráfico; contrabando e a circulação de pessoas. Lembrou que a ação de vizinhança é bastante respeitosa, inclusive com a participação em festas religiosas. Também lembrou que os técnicos de Rondônia vacinam o gado boliviano a 100 quilômetros além da fronteira na Bolívia, de comum acordo.

CRESCIMENTO COM PRESERVAÇÃO

Confúcio disse que considerando-se as terras indígenas, unidades de conservação e reservas estaduais, o Estado conta com 60% ainda de suas áreas preservadas. Nos 40% restantes, de áreas que já foram ocupadas, podem ser recuperadas com novas culturas, com o plantio racional de espécies que tenham maior rendimento em menor espaço ocupado, sendo desnecessário que se desmate mais áreas para a introdução de novas culturas. Além disso, lembrou o governador, este foi um ano em que se teve um menor número de queimadas. Também, em relação às áreas indígenas, o número de conflitos é pequeno e as reservas estão quase todas resolvidas e delimitadas. 

SAÍDA PARA O PACÍFICO

Em relação à saída para o pacífico, Confúcio Moura disse ser uma estratégia tão importante para Rondônia, quanto para o Brasil, para os estados produtores de grãos. A expansão do sistema de ferrovias, com a Ferronorte e a ligação com a hidrovia do Madeira vai possibilitar a interligação com novos mercados, barateando custos de transporte e fazendo chegar nosso potencial produtivo de alimentos até outras regiões do mundo. Mas, lembrou, porém, que as indústrias só vêm onde houver matéria-prima abundante, além de frete e energia de baixo custo. “Nem os incentivos fiscais são atrativos para atrair indústrias quando não há os outros fatores citados”, pontuou, frisando que precisamos de indústria de ração, de fertilizantes, de calcário, frigoríficos para peixes, entre outras, porque o Estado é estrategicamente e logisticamente interessante. Em relação aos Royallties que vão gerar as usinas para o Estado, o governador fez uma comparação com o gasto estimado para tocar o Hospital de Urgência e Emergência, quando  estiver em funcionamento, em torno dos R$17 milhões ao mês. Considerando que os Royaltties possam estar avaliados em cerca de R$70 milhões ao ano, seriam ainda insuficientes para custear somente a despesa do hospital, observou.  

Ao final da palestra o governador foi agraciado com uma placa e uma aquarela estampada com a fachada da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, localizada na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Os oficiais também posaram em foto oficial com o governador.

 



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